O vasto repertório que a equipe do Remo teve nas falhas, somado aos contra-ataques contundentes do Paysandu, determinaram o que a metade alviceleste que lotou o lado B do Mangueirão já esperava: o título do primeiro turno é do Papão. Porém, como se trata de Re x Pa, a conquista não poderia ser fácil. O Leão chegou a conseguir a diferença de gols que necessitava, mas, nos erros coletivos, permitiu que, pouco a pouco, os bicolores contornassem a situação e chegassem à consagração.
A conquista coroa a superação do time que, vindo de um primeiro turno irregular, cresceu nos momentos decisivos e viu o garoto Moisés se agigantar. O técnico Charles Guerreiro mostrou seu valor e foi festejado. Já Sinomar Naves, o derrotado, periga: depois do jogo, houve uma reunião na cúpula do Remo para definir se o técnico permanece no cargo.
A partida entre os dois titãs paraenses começou quente. Em dois minutos, o árbitro Paulo César de Oliveira já havia marcado duas faltas. Em menos de dez, o Remo já desperdiçava sua primeira chance clara de gol, depois que Vélber lançou Marciano. O atacante girou o corpo e saiu de frente para Fávaro, que fez boa defesa. Ele sabia que, depois de perder aquela oportunidade, teria que se esforçar em dobro. E o fez. Aos 22min, foi lançado por Índio e bateu cruzado. A bola bateu nas duas traves antes de entrar e fazer a galera azulina feliz. Seis minutos depois, ele aproveitou o desvio de Heliton no escanteio. Marciano chutou duas vezes para fazer o 2 a 0 e dar a esperança aos remistas. Porém, o frágil jogo azulino não demorou a se mostrar uma farsa.
O Paysandu precisou de um contra-ataque para jogar a pressão para o lado adversário. Contando, mais uma vez, com uma falha da defesa azulina. Paulinho já havia tomado a frente de Cláudio Allax, mas bobeou. O bicolor retomou a posse de bola e teve marcação de Danilo. O volante começou a puxar a camisa de Allax desde fora da área. Allax se equilibrou, entrou na área e sofreu o pênalti. Fabrício, alheio às reclamações azulinas, cobrou bem e retomou a taça das mãos azulinas. O gol no fim do primeiro tempo animou o Paysandu.
Na segunda etapa, ambos os times voltaram sem alterações. Mas as posturas mudaram bastante. O Paysandu, que se deixou dominar em parte do primeiro minuto, voltou cheio de si. O Remo, que tem uma equipe refém de seus 11 titulares, veio para o tudo ou nada. Cansados e sem render o que podiam, Vélber, Gian e Índio pouco apareceram na segunda etapa. O primeiro deu lugar a Samir, nome que já era pedido pela torcida. O segundo saiu para a entrada de Marlon.
As substituições irritaram a torcida, que pedia a saída de Heliton. O atacante só chamou a atenção pelas cores chamativas da chuteira: nem assustou a defesa rival. Em pouco tempo, o Remo perdeu seus dois articuladores de jogadas - Samir, apesar de ser meia, executa melhor a função de ponta-de-lança; Marlon, volante, bem que se esforçou, mas não conseguiu dar criatividade ao meio-campo do Remo. O Paysandu passou a dominar o setor e atacar com mais frequência. Logo conseguiu um escanteio e esperou a falha de Adriano para empatar. O goleiro passou lotado e a bola sobrou para Moisés, que empatou o jogo.
A falta de opções no banco do Remo era evidente. A torcida, que já havia percebido o cansaço de Índio, pedia a entrada de laterais: o Remo não atacava pela ponta. Porém, nem Levy nem Neto estavam no banco de reservas. Especula-se que Sinomar Naves tenha os deixado de fora por não gostar do comportamento dos dois laterais. A "solução" encontrada pelo técnico para tentar retomar o meio-campo foi colocar Otacílio no lugar de Paulinho e recuar Marlon para jogar pela lateral esquerda. Improvisado, o volante até que tentou e, já nos minutos finais, brindou os fãs do futebol com um belíssimo gol olímpico. O gol reacendeu o Remo, que passou a acreditar na vitória. O time se lançou ao ataque e conseguiu sucessivos escanteios. Num deles, bobeou: mesmo com dois homens no meio-campo esperando a sobra, Danilo e Márcio Nunes, Moisés recebeu o passe da defesa, disparou em altíssima velocidade e bateu na saída de Adriano. O gol foi o oitavo do garoto na competição, agora artilheiro da competição junto com Marciano.
Remo: Adriano, Índio, Pedro Paulo, Márcio Nunes e Paulinho (Otacílio); Danilo, Fabrício Carvalho, Vélber (Samir) e Gian (Marlon); Heliton e Marciano. Técnico: Sinomar Naves.
Paysandu: Alexandre Fávaro, Cláudio Allax, Leandro Camilo, Paulão e Álvaro (Zeziel); Tácio, Sandro, Fabrício (Alexandre Carioca) e Thiago Potiguar; Moisés e Didi (Rogério Corrêa). Técnico: Charles Guerreiro.
Local: Mangueirão (Belém-PA)
Renda: R$ 653.350,00
Público: R$ 33.668 (pagantes); R$ 35.618 (total)
Árbitro: Paulo César Oliveira (SP/Fifa)
Gols: Marciano, aos 22 e 28, e Fabrício, aos 40, de pênalti, do 1º tempo; Moisés, aos 23 e 44, e Marlon, aos 41 do 2º tempo
Cartões amarelos: Pedro Paulo, Paulinho, Danilo, Vélber e Gian (Remo); Leandro Camilo, Tácio e Sandro (Paysandu).
Fonte: Jornal Amazônia
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